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Dicas de saúde

Para sua saúde, fique bem longe do celular

Problema é a radiação que ele emite. Uma recomendação é deixar o aparelho desligado quando for possível

Desde que o celular foi inventado, não conseguimos mais ficar longe dele. Virou companheiro inseparável até enquanto estamos dormindo. Mas o fato de estarmos o tempo todo tão grudados nesses aparelhos gera uma preocupação. E é com a nossa saúde.

Já faz tempo que a ciência estuda a relação entre a radiação eletromagnética emitida pelos smartphones e algumas doenças, como câncer, problemas de memória, déficits de aprendizado e até infertilidade. Recentemente, o Departamento de Saúde da Califórnia, nos Estados Unidos, divulgou um alerta sobre o assunto e algumas recomendações para uso de celulares por crianças e adultos.

Uma diretriz é taxativa: mantenha-se afastado do aparelho o máximo que puder. Deixe-o desligado, quando isso for possível.

Ninguém ainda bateu o martelo sobre o perigo real a que estamos expostos. Mas há cada vez mais indícios de que ele existe. Por isso, fica o aviso. E algumas medidas podem ajudar os mais precavidos a manter uma distância mínima de segurança do celular.

Não é fácil fazer isso numa época em que todo mundo quer estar conectado 24 horas por dia. Mas é preciso tentar, como destaca o engenheiro eletricista e professor do Laboratório de Telecomunicações da Universidade Federal do Espírito Santo Marcelo Segatto.

Exposição

“Esse fato é bem documentado na literatura científica. A exposição contínua à radiação eletromagnética leva ao aquecimento das células do corpo, sobretudo células nervosas, do fígado, rins e o olho como um todo. Muitos artigos tratam desse tema com provas pontuais, mas será necessário algum tempo para que tenhamos algo mais conclusivo. Vale lembrar que esse mesmo processo ocorreu com o cigarro, e hoje não há mais contestação sobre os malefícios do tabaco. Com o cigarro talvez seja mais fácil minimizar o problema, mas com telefone celular acho pouco provável, dada a nossa dependência com a tecnologia”, afirma o professor.

O especialista em tecnologia, comentarista da Rádio CBN Vitória e colunista de A GAZETA, Gilberto Sudré, também acha prudente ter certos cuidados. “É mais por precaução mesmo. Toda radiação é possivelmente cancerígena. E o celular está sempre muito perto do cérebro”.

Sobre as doenças que podem surgir com essa exposição à radiação, o professor da Ufes acredita que grande parte desses problemas pode estar mais ligada ao uso da tecnologia em si e não à radiação eletromagnética. "Provavelmente, as dores de cabeça são geradas pelo tempo excessivo em que o usuário foca em uma tela pequena e pelo excesso de iluminação. A perda de memória, a dificuldade de aprendizado e problemas com o sono podem estar associados ao excesso de informação a que estamos expostos. É muito difícil separar todos esses fatores. Certamente, há uma influência da radiação eletromagnética nessas enfermidades, mas não deve ser a causa maior", observa.

Segundo ele, um fato importante sobre telefones celulares é que eles usam várias tecnologias que irradiam ondas eletromagnéticas. "Essa irradiação ocorre mesmo que o telefone não esteja em uso em uma chamada telefônica ou acessando a internet. Em geral, um telefone celular tem Wifi, Bluetooth,  além de várias bandas de celular (telefones com mais de um chip). Há muita preocupação com o celular em si, mas essas tecnologias causam o mesmo tipo de problema".

Mesmo assim, para Segatto, faz todo sentido a recomendação de se manter o telefone afastado do corpo: “Mas é importante lembrar que estamos cercados por aparelhos que irradiam ondas eletromagnéticas. Sem falar nas centenas de torres de celular espalhadas pelas cidades, que ficam emitindo radiação 24 horas por dia, sete vezes por semana. Não dá para se isolar. A gente quer usar cada vez mais celular e quer que ele faça o menor mal possível. Isso é conflitante. A comodidade do uso é maior do que a preocupação com a saúde”.

Uso mais seguro

Ao baixar arquivos: Mantenha o telefone longe da cabeça e do corpo, inclusive quando estiver transmitindo ou baixando arquivos. Poucos metros já fazem uma grande diferença

Melhor é mensagem: Mande mensagens em vez de falar ao celular. Isso diminui a exposição às ondas emitidas pelo aparelho

Ao falar: Quando falar ao celular, prefira o viva-voz ou uso de fones de ouvidos (os com Bluetooth, preferencialmente)

Onde levar o aparelho: Leve seu celular sempre numa mochila ou bolsa. Nunca no bolso da calça, da camisa ou no sutiã, já que o celular continua emitindo ondas quando está ligado

Sinal fraco: Evite usar o celular quando o sinal está fraco: o aparelho emite mais ondas de radiação nessas circunstâncias porque tenta, mesmo assim, se conectar com a torre

Evite o streamming de áudio ou de vídeo: Prefira fazer o download do arquivo e, ao ouvir ou assistir, coloque o celular em modo avião para diminuir a emissão de ondas de radiação. Faça ainda preferencialmente com wi-fi, pois a potência de emissão é menor

Sobre certos equipamentos: Esqueça equipamentos que prometem “reduzir a energia da radiofrequência”, pois o efeito é oposto

Na hora de dormir: Não durma com o celular perto da cama: se preferir ter o aparelho perto de você, deixe-o no modo avião ou desligue-o. O ideal é deixá-lo em um cômodo onde não fique ninguém. Mesmo se ficar carregando na tomada, se estiver desligado ele não estará transmitindo radiação. Vale lembrar ao leitor que o despertador funciona mesmo com o telefone desligado

Fonte: Departamento de Saúde Pública da Califórnia e especialistas entrevistados


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